SALVADOR PIRES
270/71
270/71 é o trabalho apresentado por Salvador Pires para a prova de aptidão artística na Escola Artística António Arroio. O projeto foi desenvolvido sob orientação do professor Bruno Santos. Inicialmente apresentado como portfólio impresso em papel vegetal, o trabalho mostra, ao mesmo tempo, um conjunto de imagens de cariz documental sobre a região de Sines, assentes, como o texto introdutório indica, na tradição dos New Topographics, e um desafio de leitura: ao escolher o papel vegetal em detrimento de um papel fotográfico regular, Salvador Pires traz ao cânon documental da fotografia, assente na ideia da objetividade e da indexicalidade, um elemento contemporâneo de dúvida em relação ao seu próprio processo. Cada prova, colocada em cima das outras, revela, traços das imagens que se seguem, deixando, assim, abrindo assim um espaço de indecisão sobre a aparente clareza inicialmente esperada das imagens.

Ao trazer o trabalho para a Sala 2, quisemos manter este elemento de incerteza, de mistura entre o caráter objetivo de cada imagem, e da dúvida que se levanta em relação a este pela sobreposição de imagens. Decidimos importar este elemento do ritmo de leitura do livro, necessariamente temporal, para a experiência de visualização, jogando, aqui também, com o ritmo e a temporalidade de leitura.

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BREVEMENTE: EXPOSIÇÃO: A CASA DA AVÓ
MIGUEL RODRIGUES
CARPE DIEM, HOUDINI IS NOT DEAD
Carpe Diem revisita um percurso quotidiano que deixei de fazer em 2009, o troço da Estrada Nacional 10 entre Sacavém e Vila Franca de Xira no primeiro ano em que dei aulas e o primeiro percurso que mapeei. Interessou-me perceber o que acontece no regresso a um lugar quando as razões que o estruturavam já não existiam. Nesse reencontro, impôs-se a presença de uma fábrica em ruína, situada junto a um troço de estrada entretanto transformado por uma nova construção. A alteração física da estrada e a consequente erosão da memória do percurso cruzam-se com a perda de função da fábrica, produzindo um desfasamento entre experiência passada e perceção presente. Partindo das memórias fragmentadas que dele persistem, o espaço deixa de ser uma continuidade vivida e torna-se um campo de tensões entre o que é reconhecido e o que resiste à identificação. A ruína, enquanto espaço desativado e aberto, intensifica esta condição ao suspender a legibilidade funcional e expor o lugar como experiência sensível, mais do que como estrutura organizada. O trabalho instala-se nesse intervalo, explorando a fotografia enquanto dispositivo que simultaneamente fixa e reduz essa experiência ao traduzi-la numa superfície plana. Neste contexto, o trabalho emerge como uma poética do vestígio. Quando a relação entre corpo, memória e espaço se fragiliza, o vestígio deixa de operar como confirmação de um sentido estabilizado e torna-se instável, disponível a novas inscrições. Uma perda que é condição de abertura: a imagem deixa de remeter para um referente fixo e passa a produzir uma intensidade que irrompe na temporalidade da repetição. A poética do vestígio afirma-se assim nesse desvio, onde o espaço se faz devir presente.





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SOFIA SÓ
MAYA DEREN E A CONCEPÇÃO DO TEMPO
Esta curta-metragem, e o ensaio que a acompanha, propõe um mergulho na estética e linguagem do cinema de Maya Deren, figura central do cinema experimental nas décadas de 1940 e 1950. Através da análise de Meshes of the Afternoon e At Land analiso e trabalho os aspetos de montagem, repetição, fragmentação e o papel do corpo feminino como sujeito ativo da imagem. O trabalho constrói um diálogo entre a obra de Deren e a minha própria prática artística, incorporando elementos como a reversão temporal, os planos espelhados e a fluidez entre sonho, memória e espaço dissociado. A curta não se pretende apenas como homenagem, mas mas como um gesto de continuidade entre a linguagem de Deren e a minha própria estética, marcada pela dissociação, o autobiográfico e a fragmentação do ser.







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OFF SALA 2 - DIA ZERO
ARTISTAS EM DIÁLOGO
Neste dia zero, abordamos a redefinição atual dos territórios nacionais entre os grandes centros urbanos, fruto da pressão demográfica e imobiliária. A questão é especialmente premente na região centro do país, crescentemente esmagada pela expansão das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Começamos por aqui porque este fenómeno está na origem da própria natureza nómada dos elementos que constituem este grupo e projeto. Uma natureza que surge com a transformação das noções de proximidade e distância, de territorialidade e virtualidade, e de pertença e comunidade.

Estes conceitos, ligados originalmente ao lugar geográfico e ao território, carecem agora de novas definições para que a circulação entre espaços se torne fonte de diálogo e não de conflito.

Vamos fazê-lo num diálogo entre Bruno Pelletier Sequeira, Catarina Tello de Castro e Miguel Rodrigues, em torno de um conjunto de obras que permitem falar de fluxos migratórios e da sua relação com a paisagem.
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PATRICIA SILVA
TVOROS
As provas de contacto são um marco visual marcante na tradição da fotografia documental a preto e branco. Mais do que uma mera ferramenta técnica, definem uma metodologia que é também uma estética, com as sequências de imagens em miniatura a permitindo uma visão panorâmica de todos os fotogramas do filme para edição do trabalho do fotógrafo.

Respeitando a forma e a metodologia do trabalho de Patrícia Silva em TVOROS, prestamos tributo a esta tradição, destacando o processo analógico como uma resistência contemporânea à massificação e aceleração da circulação das imagens.

As imagens que constituem o portefólio de imagens escolhido para a exposição realizada no Espaço d’Alte em maio de 2025, temos a possibilidade de as ver aumentadas.




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RICARDO GOMES
MEMORY OF DAY THAT ONCE WAS LIFE
Mexer em imagens é mexer em memórias. Não só aquelas que supostamente o autor registou mas também, talvez até sobretudo, as memórias que as imagens evocam em quem as vê. Falar de memória em fotografia é, assim, para nós, falar de um diálogo aberto entre presentes. Os contextos misturam-se. Os tempos misturam-se. A ideia de uma organização cronológica cede terreno perante uma organização mais intuitiva, mais enraizada no instante da perceção, do diálogo.

Como é que se organizam as imagens de um diário na memória? o que é que lembramos? o que é que esquecemos?




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OFF SALA 2 - DIA ZERO
ARTISTAS EM DIÁLOGO
Neste dia zero, abordamos a redefinição atual dos territórios nacionais entre os grandes centros urbanos, fruto da pressão demográfica e imobiliária. A questão é especialmente premente na região centro do país, crescentemente esmagada pela expansão das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Começamos por aqui porque este fenómeno está na origem da própria natureza nómada dos elementos que constituem este grupo e projeto. Uma natureza que surge com a transformação das noções de proximidade e distância, de territorialidade e virtualidade, e de pertença e comunidade.

Estes conceitos, ligados originalmente ao lugar geográfico e ao território, carecem agora de novas definições para que a circulação entre espaços se torne fonte de diálogo e não de conflito.

Vamos fazê-lo num diálogo entre Bruno Pelletier Sequeira, Catarina Tello de Castro e Miguel Rodrigues, em torno de um conjunto de obras que permitem falar de fluxos migratórios e da sua relação com a paisagem.
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